De Lagarta a Borboleta
= uma metamorfose =
Eu
sou uma Borboleta, que acabou de sair de um casulo. No momento estou com minhas
asas expostas, esperando elas endurecerem para voar.
Eu
estou pousada num galho de árvore, esperando também essa tempestade que cai do
céu assinar um tratado de paz, anunciar uma trégua para que o Sol possa voltar
a reinar e assim secar minhas asas. O complicado será depois de tanto tempo eu
escolher voar daqui, deste tronco... passei tanto tempo em sua companhia, que
minha liberdade também se tornou ele. É algo onde me seguro, um pedestal, algo
como um amor. Voar talvez me faça feliz, mas saber que nunca mais verei esse
lugar me traz dor. E me faz repensar no valor, e no que realmente seja uma
liberdade...
Quando
passamos do estágio da metamorfose, de lagarta para borboleta a vida passa a
ser olhada de outra forma. Se trancar dentro de um casulo me fez realmente
perceber o que seja de fato uma liberdade. Talvez eu adore a minha beleza de
agora, as minhas asas azuis, mas eu preferiria voltar a ser aquele bichinho
pequeno e esverdeado que só sabia caminhar com suas patas, e se quer imaginava
que isso também era decolar voo. Durante todo o tempo no casulo eu me acumulei,
todos os tipos de resíduos, toda sujeira dos meus desejos egoístas... e romper
este casulo me fez deixar ali toda a sujeira de antes. É aquela história de
sempre: aprendemos quebrando a cara. Não que eu me arrependo de ser uma
borboleta hoje, até porque foi assim que consegui me desintoxicar dos
pensamentos infantis que temos quando ainda somos uma lagarta.
Por: Matheus
Gaudard
(Texto sem revisão. Escrito
pelo sentimento do momento)




